O relógio interno me chama pelas 4h, não tem jeito.
Raros são os dias em que fico na cama até as 7h — e adoro quando isso acontece. A rotina da academia cedinho já era. E não é sem tempo: chega disso. Já basta o ano letivo que impõe horários e disciplina. Nas férias, NÃO.
Leio Ágatha Christie entre uma série e outra. Miss Marple é formidável, que velhinha intrigante com sua expertise em desvendar grandes mistérios. Além dela, o inspetor Hercule Poirot, a quem tive o prazer de acompanhar nos primeiros livros.
Netflix, Prime, Star Plus... caminhos que percorro diariamente para complementar minha aventura com suspense, crimes e dramas. Me emociono, me divirto, me impressiono com tudo o que escolho assistir e vivo cada parte daquilo que vejo. Não sou uma espectadora passiva. Aliás, bem o oposto disso.
Essas férias estão diferentes. Mudamos de casa, de estado, de móveis. Paira no ar uma sensação de não pertencimento cuja dimensão ainda não compreendi. Apenas sinto os pés nas nuvens e imagino estratégias para me aterrar. Corro no campus da universidade que fica ao lado de casa. Cheguei a me matricular em uma academia, mas saí logo pelo excesso de pessoas. Isso me preocupa um pouco: sinto que estou mudada — ou em mudança.
Não tenho mais tolerância com coisas que, em outros tempos, relevava. Busco vínculos com essa cidade, mas ainda não os encontrei. Será que os encontrarei? A situação não me enlouquece nem me deprime, mas creio que, para ser minimamente sociável e um tanto feliz, necessito de conexões. E das boas.
Enquanto isso, as férias seguem me proporcionando despertares com sol e canto de passarinhos na janela do quarto. Talvez ainda me falte um chão firme, mas esse instante simples — tão vivo — já é um pouso possível.
"Texto de autoria de Cristina Camargo. Todos os direitos reservados"
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